Sobre homofobia e liberdade de expressão.
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| "Ser gay era crime, depois passou a ser aceito, agora passou a ser um direito. Vou embora antes que seja obrigatório." |
Decidi escrever sobre isso hoje, devido ao fato inusitado que me aconteceu esta semana: fui "trollado".
Este que vos fala, além de escrever aqui para o MODO RUSSO, também possúi um blog particular onde escreve coisas referentes ao seu dia-a-dia, crônicas, etc. Pois bem, devido a muita bebida e a um surto de auto-estima, resolvi escrever um post onde escancarei alguns detalhes da minha vida (detalhes escabrosos), eu praticamente pedi para ser trollado sejamos sinceros. Mal publiquei o tal post, os comentários anônimos já começaram a chegar, alguns muito bonitos, até que no final de tudo, este:
Anônimo: Porra cara, você tem um blog, se dá ao trabalho de escrever sobre a sua própria vida
(coisa que ninguém quer saber) e se expõe dessa maneira, e só recebe meia dúzia de comentários.
Você está mal mesmo hein?
Um troll fofo até, poderia ter sido bem pior eu sei. Mas uma coisa me chamou a atenção neste comentário, no texto eu expus minha sexualidade também, e ele não citou isso na trolagelm, talvez até tenha esquecido.
Ele me rebaixou como indivíduo, mas não utilizou a minha condição sexual para fazer isso. Ultimamente, homofobia e bullying tem sido assuntos colocados em pauta à todo tempo, inclusive aqui no MODO RUSSO, pelo Shaggy, digo Gusoad quando escreveu sobre este nosso governo que não aprovou a lei contra a homofobia, nem o casamento gay, mas desenvolveu um kit escolar para a maior insersão dos cidadãos gays dentro da comunidade em geral. Bem legal (n).
A Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores responsáveis por atrasar todos os processos que favoreçam a comunidade GLBT (Estado Laico de cú é rola!), não quer perder seu direito de meter o pau nos gays, no mau sentido.
O caso Bolsonaro gerou polêmica também, quando ele expressou sua opinião à respeito de negros e homossexuais. Ele se desculpou com a comunidade negra devido a lei do racismo, mas não o fez com a comunidade gay, devido a falta de leis que a protejam de alguns ataques verborrágicos como este.
A democracia e a liberdade de expressão existem, isso é fato. Falar mal, expressar sua insatifação e/ou desagrado com algo ou alguém é natural e permitido pelo estado laico (Ah vá?).
O que a sociedade não entende, é que existe uma diferença abismal entre marginalização e hostilização.
A proteção contra qualquer tipo de violência é um dever do estado laico, e nesta hora não pode haver a diferenciação do indíviduo brasileiro de qualquer outra forma, senão agressor/vítima.
Se uma lei contra homofobia fosse aprovada, a homofobia ficaria no "
mute", mas não desapareceria. Despois de 22 anos da aprovação da lei 7.716 contra crimes de preconceito racial, o racismo ainda cresce por baixo dos panos na sociedade, apenas foi silenciado, e nem sempre, como no caso do Bolsonaro.
Eu sou a favor da liberdade de expressão. Acho que é um direito do ser humano expressar verbalmente/artistícamente/fisicamente seu amor, seu ódio, sua razão, sua irracionalidade.

Quando frequentei o ensino fundamental em uma escola estadual na periferia de São Paulo, estudava com cerca de 600 alunos no meu período e não havia sequer um único gay assumido, se algum menino demonstrasse ser mais afeminado que a maioria, ele era humilhado, e exposto, para depois, aos poucos, se endurecer e se esconder, tentando não ser notado pela massa 1999. Visitando a mesma escola onze anos depois, percebi que isso havia mudado radicalmente, uma década se passou e lá estavam os gays e os héteros coexistindo, é uma existência pacífica? Nem sempre. Mas nenhuma é. A massa que antes tinha 100% de certeza que gays eram inferiores e mereciam a ridicularização, e gritavam isso aos quatro cantos, hoje já não possui tal certeza, alguns concordam, outros discordam, mas mantém o silêncio pacífico. Depois de quase 100 anos da revolução feminista, as mulheres ainda recebem 45% a menos que os homens ocupando cargos semelhantes, são fatos.

Acho que a sociedade caminha para frente, acho que a comunidade GLBT tem conseguido cada vez mais espaço, acho sim. Acho que a lei que protegeria o homossexual da violência física, deveria protegê-lo antes como cidadão. Não acredito que o preconceito vá acabar porque o preconceito não é nada senão uma fantasia. Achar que um homem e uma mulher são diferentes é aceitável, já que isso é uma realidade, eles são realmente diferentes biológicamente, e nem isso quer dizer que sejam melhores ou piores, apenas diferentes. Já a diferença pela condição sexual, ou descendência genética é uma fantasia, um homem negro, um homem gay, um homem hétero são exatamente iguais, inclusive biológicamente.
Em outros lugares do Brasil a homofobia cresce, e ainda em alguns países do mundo a homossexualidade é punida com a morte. Mas acho que a sociedade ainda caminha para uma maior condensação dessas diferenças irreais e quem sabe um dia acordaremos finalmente desta fantasia que somos assim tão diferentes.
Me ofendi profundamente com o comentário do Bolsonaro, mas não posso tirar dele o direito da expressão, claro que cagaria de medo se alguém que pensasse como ele lograsse mais poder no executivo do nosso estado tããooo (n) laico. A homofobia está muito enraizada na sociedade mundial, e sim, uma lei contra ela daria uma proteção extra e muito bem vinda para a comunidade Gay. Eu só quero sonhar que um dia ela não será mais assim tão necessária como é hoje, e quem sabe um dia eu tenha o direito de me casar também.
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| "Fica, vai ter bolo de casamento GAY!" |
p.s. Gostaria de dizer que parabenizo o meu troll do coração, que mesmo ultilizando sua liberdade de expressão para críticar de maneira ofensiva alguma coisa, não precisou agir preconceituosamente, quero mais trolls assim.
p.p.s. ninguém é obrigado a aceitar a homossexualidade, a concordar com a conduta dos homossexuais, a se sentir confortável vendo dois homens/mulheres se beijando ou trocando afeto/carícias, absolutamente ninguém. Mas para a convivência pacífica em sociedade, respeitar, é o nosso primeiro e mais importante
dever.